Resumo da semana...
Dentro do supermercado, caixa-eletrônico do Banco do Brasil, o vidro todo estilhaçado, fios de fora. Al Qaeda? Corredores cheios. Classe média indo e vindo carregada de penduricalhos. Então, a moça magrinha, cabelo preso, a sombra azul sobre os olhos, Marilene em letras garrafais no crachá:
"Ouvi o berreiro, o dinheiro não soltava, saque de cem reais. "Ela tá me roubando", o homem berrou. Levei um susto, menina... Não precisava, né? Pegou o banquinho com as duas mãos e tacou aqui. Foi vidro pra todo lado, já pensou criança por perto?"
E aí?
"Polícia."
Mas a máquina que engoliu o dinheiro!
Vermelhinho e intacto, o caixa 24h ao lado, estava trêmulo. Cuspiu o dinheiro tão apressado, que pudesse, enfiava um copo d'água com açúcar no lugar do cartão. Acho até que veio a mais...
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Quarta
Esquina, aguardando carona.
Você tem fogo?
Quase dois metros, todo de preto, uma costeleta à lá Elvis, imundo e um bafo de cachaça tremendo.
Eu sou cantor.
Sorri.
Quer me ouvir?
Fila imensa de carro, meu chefe atrasado, dois reais no bolso.
Canta aí...
"E de repende o seu olhar
Eu vi um céu
Ahhhh ...
A me iluminar"
Lobão!
Tu gosta?
Pô!
Deu uma voltinha, cambaleando...
"E eu nem consigo mais dormir
Se você não está
Ahhhh ...
e você não está..."
Então ajoelhou, braços abertos...
"Sua pele faz
Um bem me faz
Tão bem me faz
Eu preciso tanto de você..."
Decididamente, o mico do ano.
POR FAVOR NÃO VÁ
SÓ VOCÊ NO AR
COM VOCÊ NO MAR
EU PRECISO TANTO DE VOCÊ...
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Sexta...
A mulher desceu do táxi, saia curtíssima, salto alto, echarpe...
A senhora ao lado olhou de cima abaixo e suspirou pra mim, indignada, como quem diz, "essa é puta".
Fiquei na dúvida... Calor insuportável.
Menino de bicicleta, buzina de caminhão, pneu de carro, carrocinha e carrinho de pipoca, não teve quem não olhou e vários buzinaram.
Impassível, a mulher encostou na guia.
Ônibus? Que nada! Queríamos era saber quem estava chegando para pegá-la. Confesso aqui, a cena era boa... Aquele silêncio ruidoso da boa moral indignada... É divertido, sexo movimenta as pessoas.
A senhora ao meu lado no ponto, bufava mandigas...
Mas São Paulo é matreira... Eu gosto dessa bandida!
De pirraça soprou um vento e a echarpe da mulher descolou do pescoço. Deu de cair pertinho do ponto.
"Barbaridade!"
Foi só o que ouvi. Uma delícia.
A moça estava de coleira. De couro e com uma guia prateada descendo feito trança grossa sobre os ombros.
Abaixou e pegou a echarpe na maior estica.
Que olhar, meus caros... Que olhar...
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Domingo
(ao longe, música natalina)
O fantasma não é ruim.
Os fantasmas nunca morrem.
Eles só migram de um corpo para o outro...
Larga de ser sacana...
(um floquinho branco no ar)
Se a gente mata o fantasma, a paixão acaba.
Você está vendo o fantasma, não a pessoa...
Vou parar a terapia.
Por quê?
Terapia mata os fantasmas...
Você é doida? Por que está querendo ver fantasmas?
(dois, três, quatro floquinhos...)
Que porra é essa?
É a neve!
Ai, comi um...
Cadê você?
Não é neve! É detergente...
Fecha a boca!
(uma nevasca de espuma espessa...)
Que horror... Estão ensinando tudo errado para as crianças...
É Natal...
Estamos no Brasil!
Nossa neve é quente...
É detergente, cacete...
Não importa, é como se fosse neve...
Lá vai você começar tudo de novo...






